Adolescente de comunidade no Ceará com 850 habitantes é aprovado em quatro universidades públicas

  • 04/02/2026
(Foto: Reprodução)
André Pereira Veras comenta felicidade de aprovação em vestibulares públicos. Pela primeira vez concorrendo a vagas no ensino superior, o adolescente André Pereira Veras, de 17 anos, foi aprovado em quatro universidades públicas. Ele passou em medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC) e na Estadual do Ceará (Uece), em psicologia na Universidade de São Paulo (USP) e enfermagem na Universidade Vale do Acaraú (UVA). André mora em Limoeiro dos Pompeus, um distrito na zona rural de Guaraciaba do Norte — município localizado na Serra da Ibiapaba, a cerca de 202 km de Fortaleza. A comunidade (considerando o entorno) possui aproximadamente 850 moradores, conforme o professor de história e pesquisador Romário Alves, que escreveu um livro sobre a região. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Com as quatro aprovações, André precisou tomar uma decisão importante: em qual universidade se matricular. A escolha foi medicina no Campus de Sobral da UFC — vaga que ele conquistou após garantir 810,72 na média do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). LEIA TAMBÉM: Aos 16 anos, adolescente de Fortaleza é aprovado no ITA e em medicina na Uece Jovem da zona rural de cidade no Ceará é aprovado em três faculdades Filho de mecânico e vendedora, aluno de escola pública de Fortaleza é aprovado em medicina no Sisu Aluna de escola pública de Fortaleza é aprovada em medicina na USP e Unicamp “Eu decidi por medicina mais analisando a minha afinidade com os cursos. Medicina eu queria desde que eu era bem pequenininho, mas naquele tempo não era algo muito concreto, assim. Eu só sabia por inspiração do que eu via na TV”, comentou o adolescente. “Conforme eu fui crescendo, fui pensando em outros caminhos. Quando eu entrei no Ensino Médio, eu fui atrás de saber o que eu queria realmente fazer, dentro de todas as opções. Então, eu busquei analisar quais matérias tinham mais afinidade, quais áreas eu achava que me trariam mais satisfação de realizar aquilo para a vida. E eu achei isso na medicina. Esse senso de que, apesar de tudo, sempre depois de um dia de trabalho, eu poderia lembrar das coisas que eu fiz pelas pessoas”, destacou o jovem. Vida no ensino público André com a avó e mãe no dia da formatura do ensino médio, em Guaraciaba do Norte, no Ceará. Arquivo pessoal André nasceu em São Benedito, também na Serra da Ibiapaba, e mudou-se para Guaraciaba do Norte com a avó quando ele ainda estava no ensino fundamental. Ele sempre estudou em escolas públicas e terminou o ensino médio na EEEP Deputado José Maria Melo. “O resultado do Sisu saiu às 2h30 da manhã, então como eu estava bastante ansioso para o resultado eu fiquei esperando. Eu fiquei muito, muito feliz mesmo quando eu vi que eu tinha sido aprovado. Foi uma grande alegria para mim, eu queria inclusive contar para a minha avó na hora, mas ela já estava dormindo, então eu tive que me conter”, lembrou o adolescente. “Desde sempre, eu sempre fui um aluno bastante aplicado por incentivo da minha mãe e da minha avó”, destacou André. Os destaques dele na educação começaram ainda no ensino fundamental, quando ele conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Rotina de estudos André sempre estudou em escolas públicas e sonhava com medicina desde criança. Arquivo pessoal No ensino médio, André tinha aulas nos turnos da manhã e tarde, uma vez que estudava em tempo integral em uma escola profissionalizante. A rotina iniciava ainda cedo, às 5h, quando ele precisava acordar. Às 6h, pegava o ônibus que o levava do distrito onde mora à escola em um percurso de uma hora de deslocamento. “Eu chegava na escola por volta das 7h30. Eu tinha as aulas normais, tinha o almoço, que eu também utilizava para ver alguns conteúdos, também estudar um pouco mais. As aulas terminaram 16h40. Eu pegava o ônibus, voltava, chegava mais ou menos 18h, porque era um percurso até que bastante longo, porque o ônibus pegava várias escolas”, explicou André. Em casa, ele fazia uma refeição e voltava a estuda, resolvendo questionários e reforçando conteúdos complementares. André estudava até 23h em alguns dias — mesmo precisando acordar às 5h no dia seguinte. Aos fins de semana, ele aproveitava para fazer simulados dos vestibulares. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/educacao/noticia/2026/02/04/adolescente-de-comunidade-no-ceara-com-850-habitantes-e-aprovado-em-quatro-universidades-publicas.ghtml


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