Ex-policial é condenado a 14 anos de prisão por morte de mulher que teve o carro confundido com o de criminosos
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Ex-policial é condenado a prisão por morte de mulher confundida com criminosos
O ex-policial militar Francisco Rafael Soares foi condenado, nesta quinta-feira (5), a 14 anos e três meses de prisão, pelo homicídio da administradora de empresas Giselle Távora Araújo, 42 anos, que teve o carro confundido com o de criminosos durante uma abordagem policial em Fortaleza.
O crime aconteceu em junho de 2018, quando Giselle trafegava de carro pela Avenida Oliveira Paiva, no Bairro Cidade dos Funcionários, na capital, acompanhada da filha Daniella Távora, à época com 19 anos.
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O veículo das duas foi perseguido pelos agentes que procuravam criminosos e a administradora foi atingida por um tiro nas costas, que atravessou o tórax.
Giselle chegou a ser socorrida, mas morreu um dia depois, no Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), na capital.
A defesa de Francisco Rafael, feita pelos advogados Talvane Moura , Jader Aldrin, Pedro Brasil e Lucas Fontenele, informou que vai recorrer da decisão.
"Os policiais cumpriam seu dever constitucional de proteger a sociedade, não tinham interesse em tirar vidas inocentes. Foi um erro trágico em operação policial, não um crime doloso. A defesa recorrerá da decisão, pois as contradições probatórias e as impossibilidades técnicas demonstram que Francisco Rafael não foi o autor do disparo fatal", disse a defesa do ex-policial.
Julgamento
Giselle Távora, de 42 anos, foi morta com um tiro após o carro dela ser confundido pela polícia com o de criminosos.
Arquivo pessoal
Durante o julgamento, realizado no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza, Rafael foi condenado por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele deverá cumprir a pena, inicialmente, em regime fechado.
Francisco Rafael foi expulso na Polícia Militar em 2019, após um processo aberto na Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), que apurou a conduta do então agente.
O ex-policial recorreu da decisão. No entanto, o Conselho manteve a expulsão em 2020.
Perseguição
À epoca do crime, Daniella Távora, filha de Giselle, relatou que ela e a mãe estavam no carro quando perceberam a aproximação de uma motocicleta e ouviram um disparo.
Por pensarem que se tratava de um assalto, as duas seguiram com o veículo e aumentaram a velocidade, momento em que outros tiros foram ouvidos.
Momentos depois a jovem percebeu que a mãe estava baleada. Logo em seguida, uma viatura chegou, cercou o automóvel e mandou as ocupantes saírem. Nesse momento, os agentes teriam percebido que o carro delas não era de criminosos.
Durante as investigações, as armas dos agentes que estavam na viatura que perseguiu o carro da vítima foram apreendidas e passaram por perícia.
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