Justiça manda soltar PM que atirou em entregador e decide que suspeito responda por lesão corporal

  • 10/09/2026
(Foto: Reprodução)
Entregador é baleado por morador de prédio após ser confundido com assaltante em Fortaleza A Justiça do Ceará determinou a soltura do sargento da Polícia Militar do Ceará (PMCE), Leandro Silva Fontoura. Ele havia sido preso em junho deste ano, após atirar contra um entregador, no bairro Papicu, em Fortaleza. A Justiça chegou a converter a prisão dele para preventiva, mas emitiu alvará de soltura nesta quinta-feira (10). O Poder Judiciário também passou a tratar o caso como lesão corporal simples, e não mais como tentativa de homicídio. A vítima, que vai ter a identidade preservada, foi atingida por um tiro abaixo do tórax e outro de raspão no ombro. Mesmo ferido, ele conseguiu pedir ajuda a outros motociclistas que passavam pela região e acionou a Polícia Militar. Leandro foi preso em flagrante e alegou ter confundido o entregador com um assaltante. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O Ministério Público do Ceará (MPCE), após etapa inicial das investigações, entendeu que o policial militar tinha condições de continuar atirando contra a vítima, mas “cessou voluntariamente a execução”. Com isso, o órgão opinou à Justiça que o caso devia ser julgado como “lesão corporal simples”. “A manifestação ministerial acrescentou que o laudo pericial descreveu ferimentos de raspão, sem perigo de vida e sem incapacidade para as ocupações habituais por período superior a trinta dias. Por isso, afastou as modalidades grave e gravíssima de lesão corporal”, relatou a Justiça, em decisão que o g1 teve acesso. A Justiça acatou a manifestação do MPCE, e o processo foi transferido da 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza (que julga crimes dolosos contra a vida) para a 10ª Vara Criminal de Fortaleza (que julga crimes comuns). LEIA TAMBÉM: 'Falou para eu correr, senão iria atirar', disse entregador baleado por policial militar à paisana Medidas cautelares A Justiça cearense determinou as seguintes medidas cautelares ao policial militar: comparecimento obrigatório a todos os atos para os quais for regularmente intimado; proibição de manter contato com a vítima, pessoalmente ou por qualquer meio de comunicação, inclusive telefone, aplicativos de mensagens, redes sociais ou interposta pessoa; proibição de aproximar-se da vítima, devendo manter distância mínima de 300 metros; proibição de possuir, portar ou acessar armas de fogo, inclusive arma funcional, enquanto vigentes as medidas cautelares, ressalvada ulterior deliberação judicial; entrega de eventual arma que ainda se encontre sob sua posse, no prazo de 24 horas após a soltura, à unidade competente da Polícia Militar ou à autoridade policial, mediante recibo a ser juntado aos autos. Em nota, a defesa de Leandro Silva Fontoura, representada pelo advogado Oswaldo Cardoso, declarou que “recebe a decisão com satisfação e respeito, pois a manutenção da prisão cautelar já não se mostrava compatível com a atual classificação jurídica dos fatos nem com os requisitos previstos no Código de Processo Penal”. “O Poder Judiciário corrigiu uma situação que vinha causando grave prejuízo à liberdade do acusado. A decisão restabelece a proporcionalidade e assegura o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e reconhece que, neste caso, o Ministério Público e o Poder Judiciário atuaram para fazer prevalecer a legalidade e a Justiça”, complementou o advogado. Prisão do PM Morador de prédio mandou entregador correr antes de atirar duas vezes contra o trabalhador em Fortaleza. Reprodução Na residência do policial, no dia da prisão, foram encontrados um revólver calibre .357, quatro munições do mesmo calibre, sendo três intactas; uma pistola calibre .40, 30 munições do mesmo calibre; e três carregadores de pistola calibre .40. A Justiça considerou, na conversão da prisão, que a atitude do policial foi de "acentuada periculosidade e uso desproporcional de arma de fogo, sobretudo porque a justificativa apresentada pelo custodiado - receio de sofrer assalto após discussão por mensagens - não afasta, neste momento, a gravidade objetiva da conduta investigada". Após atirar contra o entregador, o policial voltou para dentro do prédio e se abrigou no apartamento, onde ficou até a chegada da Polícia Militar. Enquanto estava abrigado, dezenas de moticiclistas se reuniram na frente do edifício em protesto pelo ataque ao trabalhador. Quando a polícia chegou ao local, afastou os manifestantes. Entregador baleado Entregador de 24 anos levou um tiro abaixo do tórax e outro de raspão no ombro após ser confundido com assaltante durante entrega em condomínio em Fortaleza. TV Verdes Mares/Reprodução Segundo o entregador de 24 anos, o agressor estava na frente do prédio passeando com o cão de estimação. Quando a vítima se aproximou de moto para estacionar, o pedestre se assustou. "De início, ele puxou a arma, pois achou que era um assalto. Para me resguardar, eu tirei o capacete, me identifiquei e falei que iria deixar uma encomenda no prédio. A todo momento ele falou alterado comigo, dizendo que não me conhecia", relatou o entregador. Depois do diálogo, o entregador caminhou em direção ao interfone e, enquanto se preparava para interfonar para o apartamento que fez o pedido, foi abordado novamente pelo morador, que tentou agredi-lo. "Ele tentou dar um tapa na minha cara, mas eu me esquivei. Depois, ele falou para eu correr, senão iria atirar. Quando ele atirou, eu corri e só senti minhas costas queimando", falou o entregador. Em junho, a Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD), órgão responsável por apurar e investigar desvios de conduta de agentes de segurança pública, disse que Leandro estava afastado por problemas de saúde. Ele foi levado ao 2º Distrito Policial, onde foi autuado em flagrante e colocado à disposição da Justiça. "Após um desentendimento ocorrido em via pública, o policial efetuou um disparo de arma de fogo que atingiu um entregador por aplicativo", disse o órgão. A vítima foi socorrida e levada ao Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), onde a bala do tórax foi retirada. Como o projétil não ficou alojado, após o atendimento, o entregador recebeu alta na manhã do dia 29 de junho. Preso policial que atirou em entregador no Bairro Papicu, em Fortaleza Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/09/10/justica-manda-soltar-pm-que-atirou-em-entregador-e-decide-que-suspeito-responda-por-lesao-corporal.ghtml


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