Operação investiga suposta formação de cartel em postos de combustíveis de Fortaleza
28/11/2025
(Foto: Reprodução) Secretário da Fazenda do Ceará, Fabrízio Gomes comenta operação realizada em Fortaleza.
Uma possível formação de cartel nos postos de combustíveis de Fortaleza foi alvo de uma operação nesta sexta-feira (28). Os estabelecimentos teriam combinado de vender combustíveis com preços equivalentes, o que representaria grave lesão à concorrência, afetando o preço final do produto ofertado ao consumidor.
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) cumpriu 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário, nas cidades de Fortaleza e Rio de Janeiro.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp
As buscas acontecem após instauração de procedimento investigatório criminal pelo Gaeco, visando apurar indícios de prática de cartel no mercado de combustíveis em Fortaleza.
A investigação teve início após encaminhamento de expediente pela Secretaria-Executiva do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), que identificou, em fiscalização realizada em novembro de 2023, a venda de combustível com preço absolutamente equivalente por 95 postos sediados em Fortaleza.
Diligências complementares foram realizadas, incluindo nova ação de monitoramento em março de 2024 e consultas a órgãos competentes.
As informações levantadas foram encaminhadas ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que, após análises técnicas realizadas, constatou a existência de indícios de acordo secreto entre empresas do setor, especialmente em sete estabelecimentos em uma região de Fortaleza.
As investigações seguem em andamento a fim de aferir a existência de eventual acordo entre empresas do setor.
R$ 30 milhões de débitos
Suposta formação de cartel no postos de combustíveis em Fortaleza é investigada.
Sefaz-CE/Reprodução
Além das ações na área criminal, a operação também teve atuação administrativa. A operação foi realizada pelo Grupo Nacional de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (GNDOET), órgão do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça (CNPG), e teve participação Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE).
A ação consistiu em uma inspeção minuciosa em postos de combustíveis, tanto na área tributária quanto com relação ao consumidor, nas quais foram fiscalizados diversos aspectos da legislação federal e estadual. As irregularidades encontradas foram encaminhadas ao Gaesf, que dará seguimento às investigações.
O secretário da Fazenda do Ceará, Fabrízio Gomes, revelou, durante coletiva de imprensa, que as empresas alvo desta operação já possuem R$ 30 milhões de débitos registrados na dívida ativa por autos de infração.
“Isso representa, por exemplo, o custo de construção de três escolas de tempo integral. Então, é importante que a população entenda que a sonegação é um crime muito ruim para a sociedade, porque o poder público deixa de ter o recurso para fazer políticas públicas, seja na segurança, na saúde, na educação”, declarou.
Os valores devidos ainda podem aumentar após a análise de equipamentos e dados colhidos durante a ação.
A ação também contou com a participação do Ministério Público do Ceará (MP-CE), do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e da Polícia Civil do Estado do Ceará (DTO).
O eixo administrativo da operação foi coordenado, no Ceará, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf) do MP-CE que, junto com a Coordenadoria de Pesquisa e Análise Fiscal (Copaf) da Sefaz-CE, integra o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira).
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará